O que faz os pais gostarem do professor?

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Trabalhei em sala de aula por muitos anos e passei por muitas fases de relacionamento com os pais dos alunos. Tive experiências até bem aprofundadas em alguns anos que me ajudaram – e muito – a conquistar os melhores aliados que poderia ter na aprendizagem das crianças: os responsáveis.

Se você pensar bem, são os pais ou responsáveis quem mais ficam com seus alunos quando não estão com você e são exatamente eles que podem lhe auxiliar bastante no desenvolvimento dos alunos. Quanto mais você conhecer os pais/ responsáveis e o aluno, melhores serão os resultados de sua turma.

Ah, sim! A resposta à pergunta título da postagem… uma única coisa faz os pais gostarem do professor: quando o professor REALMENTE conhece seu filho.

O problema, na verdade, não está em conhecer e sim em mostrar que você conhece. Não adianta você conhecer bem a criança e o responsável não saber disso, afinal de contas, propaganda é a alma do negócio, como diz a linguagem popular.

A experiência mais profunda que tive em relação aos pais foi quando trabalhava em uma turma de primeiro ano. Não tinha ainda muitos anos de experiência como polivalente, pois anteriormente lecionava idiomas.

Os pais estavam literalmente me deixando doida, pois os alunos faziam parte de uma experiência do município no qual a classe ficava em uma escola de educação infantil, porém era de primeiro ano – muito antes da implantação dos nove anos do Fundamenta. Acho que foi em 1.999 ou 2.000.

As dúvidas eram muitas e diariamente eu me atrasava para meu segundo período de aula, que era em uma outra escola, para poder responder aos questionamentos dos pais na hora da saída. Foi então que percebi algo importante: insegurança e falta de conhecimento. Insegurança por seus filhos fazerem parte de uma experiência municipal e falta de conhecimento sobre como era a vida dos alunos na sala de aula.

Fiz então uma proposta à direção da escola, que aceitou, e fizemos uma reunião extra com os pais. A proposta: uma vez por semana, durante apenas uma hora, cinco pais/responsáveis iriam à escola, no início do período de aula, para ficar com um grupo de crianças e fazer uma lição com eles, orientando.

A princípio, as lições eram feitas por mim. Estava trabalhando com poesias e os pais não entendiam, na época, como uma criança que ainda não lia ou escrevia fluentemente poderia ler aquilo. Minha intenção era mostrar como poderiam ajudar em casa e também o quanto eu conhecia os alunos.

A experiência teve um sucesso tão estrondoso, que foi, naquele ano, adotada por mais duas turmas. Os pais que participaram da primeira parte da experiência notaram, com grande surpresa, que eu sabia exatamente como cada criança deveria ser questionada e que eu tratava de forma diferenciada cada um dos alunos, de acordo com suas necessidades de aprendizagem. Além disso, aprenderam a questionar as crianças para resolver as atividades em lugar de ditar respostas prontas para elas.

Uma segunda reunião de pais foi marcada e os pais que participaram das aulas contaram suas experiências, deixando os demais mais seguros e com maior confiança em meu trabalho. A segunda parte da experiência foi sugerida por uma mãe: não poderíamos nós mesmos trazer algo para fazer com as crianças?

A sugestão foi aceita e uma reunião com outros cinco responsáveis foi feita. A nova experiência seria trabalhar com algo híbrido: parte trazida pelos pais e parte feita por mim. Com base no que os pais planejassem, eu fazia uma lição para finalizar o trabalho, que ficou estabelecido em uma vez por semana, durante um mês, por duas horas.

A experiência total virou uma apresentação no município, feita pela direção e pela coordenação, com depoimentos meu e dos pais tanto que participaram quanto dos que ficaram de expectadores. A conclusão da satisfação com o ensino era sempre a mesma: a professora sabe o que está fazendo/ a professora conhece muito bem os alunos.

A partir de então, não fiz mais algo tão profundo, mas sabia resposta para a pergunta que iria determinar o meu futuro na sala de aula como alguém que sempre busca uma educação melhor: o que faz os pais gostarem do professor?

Aprendi que mesmo aquele pai que quase não fala com você, que parece tão distante, precisa de um contato seu. Todos, sem exceção, precisam saber o quanto você conhece o aluno, o filho deles. Não importa se você terá uma palavrinha com eles numa reunião geral de pais, num encontro individual – preferencialmente marcado por você – ou mesmo na saída ou na entrada da aula. O contato é o que importa. São os pais/ responsáveis seus grandes aliados.

Eu considerava tão importante esse relacionamento com os pais, que cheguei a criar uma tabela de preenchimento rápido, com dados das crianças/ pais. Essa era a forma que eu tinha de me aprofundar tanto no relacionamento com as crianças, para compreender como aprendiam melhor quanto na relação com os responsáveis, que sabiam em poucos minutos o quanto eu conhecia meu aluno.

Espero ter, de alguma forma, contribuído com você. Se tiver percebido o quão importante é ter como aliado os pais e conseguir estreitar suas relações com eles, saberá o quanto isso faz a diferença em sala de aula. Você perceberá os avanços e a mudança positiva em suas aulas. As reuniões com os pais serão mais tranquilas e seu trabalho se mostrará ainda mais instigante. Até a próxima!

 

4 Respostas para “O que faz os pais gostarem do professor?

  1. Boa noite, Janaína achei bem interessante seu depoimento,pois sou professora novata e enfrento algumas dificuldades deste tipo,então gostaria de saber se existe a possibilidade de você disponibilizar essa tabela feita por você para ajudar a conhecer melhor o aluno e seus responsáveis ou então dicas do que não pode faltar numa tabela deste tipo.Fico no aguardo

    • Boa noite, Rosana

      Essa proximidade com os pais é realmente importante, para evitar problemas futuros. A aula corre bem mais tranquila também quando tomamos as devidas precauções e pais felizes trazem resultados positivos em sala de aula com o aluno. Mesmo que o aluno tenha problemas ou dificuldades, conquistar o pai é um grande trunfo que podemos ter, pois ele deposita confiança em nosso trabalho e percebe o quanto estamos interessados em ajudar.
      Quanto ao impresso, estou fazendo algumas alterações nele e em breve disponibilizarei, provavelmente. É bem possível que retorne ao assunto, pois acho muito condizente com a realidade e também considero pouco tratado nas escolas. Deveria ser bem mais explorado…
      Não sei lhe dizer quando será, mas basta ficar de olho. Costumo anunciar as novidades na fanpage do Face, para facilitar, ou no blog. Curtindo a página do Face ou assinando o rss do blog você ficará sabendo.
      Até mais,
      Janaina Spolidorio

  2. Boa noite Janaina, meu nome é Érica fiz a assinatura da sua revista em outubro mas não consigo ver a de novembro vc pode me ajudar por favor?

    • Boa noite, Érica

      Você receberá a edição de novembro da Aula Expressa no seu e-mail. Mesmo assim, verificaremos o que pode ter ocorrido para não estar conseguindo ver a edição. Como quinta e sexta é feriado em São Caetano e a agência responsável fica lá, na segunda entraremos em contato para que o programador verifique o ocorrido. Esperamos que goste da edição!

      Até mais,
      Janaina e Marise

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