Repertório – o que acontecerá com a nossa língua?

     Atualmente, tenho um segunda série e esta, em particular, tem me preocupado demais no que diz respeito a alguns aspectos cognitivos que antes não apontavam problemas. Diversas vezes, me deparei com crianças perguntando o que era determinada palavra que eu usei na lição.

     Imagino como será que eles interagem em casa. Será que conversam com pessoas ou ficam alienados com máquinas que procuram suprir a falta de atenção que essas crianças devem ter? Será que realmente compreendem o que acontece nos desenhos e programas que assistem na tv ou ‘se ligam’ apenas no contexto geral?

     Quando afirmo que as crianças estão com um repertório ruim, ou seja, uma gama de vocabulário pobre, não me refiro a palavras tão complicadas que não deveriam ter sido ouvidas aqui ou acolá algum dia de suas vidas. São palavras como banguela, alpiste, enxoval, confessionário e outras mais.

     Os prejuízos ao desenvolvimento desses aluno são muito grandes devido a este problema que estou apontando neste ‘post’. Como primeira alternativa, eu quis incentivar os educandos a utilizar o dicionário quando tivessem dúvidas. Logo no primeiro dia que levei dicionários à sala, um aluno achou engraçado, porque ‘aquele livro tinha mesmo muitas palavras’. Achei  um tremendo absurdo perceber que a maioria nem tinha tido contado com dicionário. Meus alunos, apesar de serem da escola pública, fazem parte de uma comunidade de classe média e muitos pais têm empregos que provêem de ensino superior, como engenheiro, advogado, administrador e outros. Além disso, o tipo de produção de texto que eles fazem deixam muito a desejar por conta da falta de detalhes que deveria enriquecer o texto e acaba sendo inexistente.

     Talvez a MODA DE ENSINAR RE-ESCRITA tenha prejudicado enormemente a capacidade de produção e a criatividade desses alunos, pois o aluno deixa de ser autor para ser um tipo de copiador – mas isso é outra história. Talvez seja mesmo a visão pobre de mundo que os leve a ter esses ‘lapsos vocabulares’ ou mesmo a falta de incentivo de casa.

     Eu poderia citar mais de vinte hipóteses para essa pobreza de palavras que está invadindo a escola, mas o que mais me preocupa não é o fato em si, mas sim a preocupação de como sanar o fato.

     Saber o que se passa seria importante para ajudar a solucionar o problema. Por outro lado, não quero ser mais uma teórica que fala sobre hipóteses e não faz nada para melhorar o ensino, apenas apresenta uma ANÁLISE PSICOLÓGICA dos fatos.

     Enquanto nenhum teórico tenta explicar o praticamente inexplicável, pensarei em soluções para melhorar o praticável.

     E você? Percebeu esse problema? Já conseguiu êxitos no sentido de ajudar esses alunos?

 

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