Arquivo do dia: agosto 2, 2010

Não entende mais os alunos? Entenda o porquê!

      As salas de aulas estão mais difíceis de trabalhar a cada novo ano. Os professores não têm condições de acompanhar as mudanças, porque além de ter que cumprir os conteúdos ainda devem ficar analisando psicologicamente a aprendizagem de seus alunos.

     Se ao ler o parágrafo acima você pensou que estou falando sobre a hipótese de escrita, acertou. Só as pessoas que nos impõem ficar analisando escritas e produções de texto não perceberam ainda que isso está tornando o ensino muito teórico e pouco prático.

     Enquanto nos dedicamos durante décadas a aprender como a criança pensa – não digo que não seja interessante, apenas digo que não é nosso necessidade primária – o mundo avança, novas tecnologias são lançadas e a criança está muito mais inserida nesse mundo do que nós. Se você já se perguntou o que está acontecendo com os alunos, vou lhe dar essa resposta de acordo com meus olhos:

      Quando vejo minha sala de aula, traço um paralelo com tudo o que o mundo tem nos oferecido. É como se cada criança estivesse em frente a um aparelho. Vou usar o computador como exemplo, por achar mais fácil, porém poderia ser uma tv também. Elas estão em frente ao computador e suas lições são a tela principal do computador.

      No momento quem que estou explicando, elas me entendem como um som de fundo – por esse motivo muitos alunos não compreendem exatamente o que devem fazer na lição ou não sabem nem do que você está falando. Isso acontece pois é como se eu fosse a mãe deles perguntando algo enquanto estão prestando um pouco de atenção no computador. A atenção deles se divide já aí.

     Sinto-me como se estivesse também em frente a um computador. Quando alguém me interrompe é como se fosse uma janela pop-up que devo fechar ou minimizar. Até eu fazer isso, ela já me atrapalhou e tenho que retomar alguns pontos.

     Às vezes, um aluno está com muita dificuldade e fico perto dele explicando novamente o conteúdo e de repente aparece um outro aluno – que geralmente não precisa de ajuda – me perguntando algo da lição que ele poderia muito bem resolver sozinho, se não dependesse totalmente de mim, seu Google pessoal – é isso mesmo, eles me veem como um mecanismo de busca pessoal … para que pensar, se eu estou lá? Esse outro aluno, encaro como uma janelinha de msn que estava oculta e começa a piscar. Enquanto não respondo, não consigo continuar minha tarefa principal, que era por sinal muito mais importante. Bem, isso e muito mais acontece na aula.

     Tudo o que escrevi acima é um relance sobre alguns aspectos que percebo durante a aula. É claro que existem muitos outros, mas achei importante compartilhar com vocês essa minha visão das crianças, pois é dessa forma que consigo contornar muitas dificuldades que encontro na aula. Espero que eu tenha sido bem clara e que tenha lhes ajudado de alguma forma. Boa net para vocês!

Gostou? – Agradeço a Visita…Com Comentários, Claro!

        Leciono há praticamente duas décadas… não que eu já tenha idade para aposentar, aliás, trabalharei ainda muito até que eu possa realmente fazê-lo. A questão é que comecei a lecionar muito cedo. Tive uma breve passagem por uma ‘escolinha’ e logo comecei a trabalhar com língua inglesa.

        Apesar de o ensino de idiomas ter uma prática que difere do ensino nas escolas regulares, cursei magistério e fiz estágio, portanto sempre tive contato com o ensino regular. No Ensino Fundamental mesmo, estou há aproximadamente doze anos.

          Estou a falar um pouco do meu histórico, porque o que vou postar aqui é algo muito sério e posso dizer, devido à todas as experiências que tive nestes anos de magistério – que não são poucas e nem na mesma série ou escola ou mesmo apenas como professora – que realmente é verdade, pois também faço parte desse contexto, como milhares ou talvez milhões de professores do Brasil.

          Quando fiz magistério, fui formalmente apresentada à Emília Ferreiro e ao construtivismo. Nunca lecionei com cartilha ou método ‘tradicional’, mesmo porque demorei um pouco para realmente estar na rede regular de ensino e não se usava mais tais métodos. Sempre compreendi perfeitamente o que ela afirmava ou o que a teoria trouxe para o ensino do Brasil e digo que, para a época, realmente era verdade.

          O que os ‘construtivistas’ não previam era a aceleração no desenvolvimento mundial. Aprender a construção da escrita pela criança é algo válido e, para crianças de quinze… até dez anos atrás era algo possível e que até certo ponto dava certo.

          Pelo meio do caminho, ficaram outras questões que o construtivismo não deu conta totalmente, já que o interesse maior sempre foi, irrefutavelmente, a construção da escrita – e não sua real evolução. As produções de texto apresentam todos os problemas advindos do ‘construir’: alunos não compreendem bem as partes de um texto, a coesão ficou tão distante de alunos e professores, que há uma confusão geral de como ela funciona em uma produção, o formato da letra se tornou um problema em praticamente todas as salas de aula, as outras disciplinas são trabalhadas muitas vezes de modo superficial, já que a maioria das escolas prioriza português e matemática entre outros problemas ainda mais graves.

          Eu participei inúmeras vezes de cursos, sendo que quase noventa por cento foram voltados ao período de alfabetização. Sei repetir ‘ipsis literis’ praticamente tudo o que ouvi nesses cursos, pois eram todos muito parecidos. Fiz PROFA, somente para poder trabalhar com primeira série, pois não me sinto bem com as outras séries, já que a defasagem dos alunos é muito grande – não estou culpando os professores e sim o sistema.

          O meu caminho para que os alunos pudessem ter uma aprendizagem no mínimo aceitável para meus padrões pessoais de trabalho foi adaptar o construtivismo com a aceleração do mundo. Não é uma tarefa muito fácil e não posso dizer que tenha conseguido cumpri-la cem por cento. O resultado de minhas adaptações são todas as atividades presentes neste blog.  

          Não faz muito tempo que compartilho tudo isso na net, mas estou muito feliz com o resultado, pois com os comentários que vocês, professores, me escrevem, posso ter uma visão ainda mais ampla do problema com a educação do país e adaptar de uma melhor maneira minhas atividades. Todas as dificuldades que vocês colocam quando me escrevem me permitem refletir sobre diversos assuntos e aprimorar o que lhes forneço. 

          Agradeço a todos, de coração, e sempre que puderem me forneçam uma ‘visão’ sobre suas dúvidas. O que me move dentro de nossa área é exatamente minha sede de conhecimento, de encontrar soluções, de compartilhar…